Lula Acusa Família Bolsonaro de Traição Nacional e Pedir Intervenção Americana Após EUA Classificarem Facções como Terroristas
Em um discurso contundente em Sergipe, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) elevou o tom contra membros da família Bolsonaro, classificando suas ações nos Estados Unidos como um ato de “traição à pátria”. A crítica surge em resposta à decisão americana de listar o Primeiro Comando da Capital (PCC) e o Comando Vermelho (CV) como organizações terroristas.
Lula acusou explicitamente aliados do ex-presidente Jair Bolsonaro de incentivarem a interferência estrangeira nos assuntos internos do Brasil. “Nós não aceitamos ser tratados como moleques. Nós não aceitamos ser tratados como se fôssemos uma republiqueta”, declarou o presidente, demonstrando indignação com a postura.
O presidente relembrou que já havia tratado do combate ao crime organizado diretamente com Donald Trump em uma reunião anterior, entregando quatro documentos sobre o tema. “Eu tive três horas com o presidente Trump. Entreguei quatro documentos para ele. Um deles era o combate ao crime organizado”, afirmou.
Mirando especificamente o senador Flávio Bolsonaro (PL), Lula declarou que integrantes da família Bolsonaro têm buscado, nos Estados Unidos, exercer pressão internacional sobre o Brasil. “Não tem vergonha na cara de trair a nossa pátria e ir nos Estados Unidos pedir intervenção americana no Brasil”, disse, em referência a ações que, segundo ele, visam prejudicar o país.
O chefe do Executivo também provocou os aliados bolsonaristas que, em sua visão, estariam se escondendo da Justiça brasileira nos Estados Unidos. “Quer combater o crime organizado? Que entregue os nossos que estão lá nos Estados Unidos”, desafiou, citando figuras como o ex-deputado Alexandre Ramagem e Ricardo Magro, da Refit.
Em nota oficial, o Palácio do Planalto reforçou as críticas, qualificando a viagem de familiares de Bolsonaro aos EUA para discutir o tema como “deplorável”. O governo alertou ainda para os riscos de medidas unilaterais americanas, como a classificação de facções como terroristas, que podem prejudicar o compartilhamento de informações entre forças de segurança e afetar o sistema financeiro nacional, incluindo inovações como o Pix, que estariam sob pressão de interesses estrangeiros.
O governo reconheceu a gravidade da atuação das facções no Brasil, mas ressaltou a diferença entre a violência do crime organizado com fins lucrativos e o terrorismo com motivações políticas, religiosas ou ideológicas. Lula reafirmou o compromisso do governo em combater o crime organizado com leis rigorosas e o programa “Brasil contra o Crime Organizado”.






