JORNALISTA PERSEGUIDO POR ZAMBELLI É PRESO POR NÃO PAGAR INDENIZAÇÃO
São Paulo – Em uma reviravolta judicial que levanta sérias questões sobre a aplicação da lei, o jornalista Luan Araújo foi detido pela Justiça de São Paulo. A prisão, determinada em regime aberto, ocorreu em decorrência do não pagamento de uma indenização à ex-deputada Carla Zambelli, após uma condenação por difamação. O caso ganha contornos ainda mais dramáticos ao lembrar que Araújo foi a vítima de uma perseguição armada protagonizada pela própria Zambelli em 2022.
A decisão do Tribunal de Justiça do Estado de São Paulo converteu a pena inicialmente restritiva de direitos em privação de liberdade. O jornalista deve cerca de R$ 2.200 em multas e indenizações fixadas em processo movido por Zambelli. A condenação se deu por um artigo publicado por Araújo, no qual ele criticou duramente a ex-parlamentar, afirmando que ela “segue uma seita de doentes de extrema direita” e que “segue cometendo atrocidades atrás de atrocidades”.
A defesa de Araújo alega que o jornalista se encontra em situação de hipossuficiência econômica, com pedido de parcelamento da dívida rejeitado pela Justiça. Um recurso de habeas corpus já foi impetrado, e as condições exatas do cumprimento da pena em regime aberto ainda serão definidas. Segundo o advogado de Araújo, o jornalista sequer foi intimado das condições a serem cumpridas, o que, na visão da defesa, invalida a determinação atual.
Em pronunciamento nas redes sociais, o jornalista Luan Araújo pediu apoio para processar Carla Zambelli, relatando ter sofrido perdas profissionais, de relacionamentos e de sanidade em decorrência do episódio da perseguição. Ele destaca o paradoxo de Zambelli, que, apesar de condenada pelo STF, não cumpre pena na Europa e está solta, enquanto ele enfrenta dificuldades legais.
O caso remonta à véspera do segundo turno das eleições presidenciais de 2022, quando Carla Zambelli perseguiu Luan Araújo armada nas ruas de São Paulo. Essa ação resultou na condenação da ex-deputada por porte ilegal de arma e constrangimento ilegal. Zambelli, que renunciou ao mandato após ter sua cassação votada na Câmara, tem contra si condenações do STF, incluindo dez anos de prisão por contratar um hacker para inserir um mandado de prisão falso contra o ministro Alexandre de Moraes e cinco anos e três meses pela perseguição armada. A Justiça italiana negou seu pedido de extradição, e ela deixou a prisão em Roma no final de maio.






