Brasil busca salvação em acordo tarifário e acusa Trump de protecionismo unilateral
O governo brasileiro, sob a liderança do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, está empenhado em estender o prazo de 30 dias para a negociação de um acordo tarifário com os Estados Unidos, previsto para expirar neste domingo (7). A expectativa em Brasília é que um pacto seja impossível de selar até o fim de semana, mas o cronograma brasileiro sugere que as novas tarifas impostas por Donald Trump só entrariam em vigor a partir de 15 de julho, abrindo uma janela para negociações.
As tarifas anunciadas pelo governo americano podem elevar os impostos sobre produtos brasileiros para uma faixa entre 37,5% a partir de meados de julho. Diante desse cenário, o governo Lula já indicou sua disposição em fazer concessões para evitar o impacto dessas medidas. No entanto, as negociações se limitariam estritamente a questões de tarifas de importação. O Brasil rechaça veementemente a inclusão do sistema de pagamentos Pix ou a abertura do mercado de terras raras nas discussões, propostas que foram sugeridas pelo bolsonarismo.
O governo brasileiro considera que a tarifa de 12,5%, justificada pelo argumento de trabalho escravo, tem um caráter global e dificilmente será revista por Trump, especialmente após a imposição de tarifas semelhantes a outros aliados como Argentina, Catar e Israel. A estratégia de negociação do Brasil se concentrará em reduzir as taxas de 25% que afetam especificamente o país. Uma das propostas em pauta é a redução de tarifas para produtos americanos no Brasil como contrapartida.
Fontes indicam que o governo brasileiro admite a dificuldade do processo, mas não o considera impossível. A inclusão de novos produtos na lista de isenção por parte dos EUA é uma das alternativas. Outra possibilidade em estudo é a revisão da posição brasileira de vetar acordos na OMC que permitam isenção de tarifas para serviços digitais, uma demanda do governo Trump que vinha sendo resistida pelo Itamaraty. Um dos entraves identificados é o “caráter maximalista” do governo americano, que tem feito amplas exigências. A esperança brasileira agora é por negociações setoriais.
Lula e Trump estarão presentes na reunião do G7 na França em duas semanas. No entanto, um novo encontro bilateral só faria sentido se houver avanços nas negociações nas próximas semanas. Na cúpula, Lula deve apresentar um discurso contundente contra o protecionismo e o unilateralismo, temas que foram incluídos na pauta pela presidência francesa.






