Economia

Geopolítica e Tecnologia Ditam o Ritmo do Mercado, Bovespa Busca Recuperação em Meio a Incertezas

Os mercados financeiros globais exibem um comportamento misto nesta sexta-feira, refletindo um cenário complexo moldado por tensões geopolíticas no Oriente Médio e o otimismo impulsionado pela inteligência artificial. Em Nova York, os índices futuros operam com leve alta, impulsionados pela esperança de um avanço nas negociações entre Estados Unidos e Irã para estender o cessar-fogo e normalizar a navegação no estratégico Estreito de Ormuz. Um eventual entendimento, ainda dependente da aprovação do presidente Donald Trump e sem confirmação oficial de Teerã, alivia a pressão sobre os preços do petróleo e atenua receios de inflação global. O setor de tecnologia e semicondutores também contribui para o otimismo, com a inteligência artificial como principal motor.

No Brasil, a atenção se volta para a divulgação do Produto Interno Bruto (PIB) do primeiro trimestre. As projeções apontam para um crescimento de 0,9% em relação ao trimestre anterior, um alento após dois períodos de desaceleração. A expectativa é de que o consumo das famílias e os investimentos liderem essa recuperação, beneficiados por um mercado de trabalho robusto e pela expansão do crédito. A agenda econômica nacional ainda reserva a divulgação do resultado primário do setor público consolidado pelo Banco Central e uma nova pesquisa eleitoral do PoderData.

A Bolsa brasileira, o Ibovespa, encerrou o pregão de quinta-feira em queda de 0,39%, aos 175.063 pontos, acumulando uma expressiva desvalorização de 6,54% em maio, o pior desempenho mensal desde fevereiro de 2023. A volatilidade e a avalanche de notícias econômicas e geopolíticas marcaram o dia. Apesar de se manter acima dos 170 mil pontos, o mercado brasileiro demonstra dificuldade em sustentar ganhos consistentes diante das incertezas globais e da cautela dos investidores. O dólar comercial recuou 0,57%, fechando a R$ 5,03, enquanto os juros futuros oscilaram fortemente.

No cenário internacional, as bolsas europeias operam em alta, com destaque para o setor de defesa, que reage a um incidente envolvendo um drone russo em um prédio residencial na Romênia, país membro da OTAN e da União Europeia. Na Ásia, as bolsas fecharam majoritariamente em alta, com o Kospi da Coreia do Sul e o Topix do Japão atingindo recordes históricos.

Os preços do petróleo apresentam oscilações e caminham para a maior queda semanal desde o início de abril, com o conflito no Oriente Médio continuando a gerar instabilidade no setor. O petróleo WTI registra leve queda, enquanto o Brent opera com leve alta.

Em declarações na quinta-feira, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva anunciou a intenção de ampliar um acordo comercial com o Suriname, destacando o interesse da Petrobras em colaborar com o país na exploração de suas reservas de petróleo. “Como vocês agora vão se transformar em grandes produtores de petróleo, a Petrobras pode trabalhar com vocês e vamos poder equilibrar a balança comercial porque vamos importar um pouco de vocês”, afirmou o presidente.