Política

CASO VORCARO: Deputados Pedem Investigação nos EUA sobre Rede Financeira Ligada a Eduardo, Flávio Bolsonaro e Vorcaro

Um grupo de deputados federais brasileiros, alinhados ao governo Lula, solicitou formalmente a parlamentares democratas nos Estados Unidos a abertura de uma investigação sobre uma suposta rede financeira que teria operado em território americano em benefício de membros da família Bolsonaro. O foco principal recai sobre o ex-banqueiro Daniel Vorcaro e suas conexões com estruturas financeiras ligadas à Reag Investimentos, bem como atividades atribuídas ao ex-deputado federal Eduardo Bolsonaro.

O pedido, formalizado em um documento assinado por Pedro Uczai (PT-SC), Pedro Campos (PSB-PE), Jandira Feghali (PCdoB-RJ) e André Janones (Rede-MG), aponta para uma suposta ligação entre recursos associados a Vorcaro e as atividades de Eduardo Bolsonaro nos EUA. Informações públicas, reportagens e investigações em andamento no Brasil embasam o argumento dos parlamentares, que listam a necessidade de análise de movimentações financeiras, contratos e estruturas corporativas sob jurisdição americana.

Uma das hipóteses a serem investigadas é a existência de um fluxo financeiro originado em estruturas ligadas ao Banco Master, controlado por Vorcaro, que teria chegado a empresas ou prestadores de serviço nos Estados Unidos, com potencial benefício para Eduardo Bolsonaro. Relatos indicam que Flávio Bolsonaro teria solicitado recursos a Vorcaro para a produção de um filme sobre a vida do ex-presidente Jair Bolsonaro, e a Polícia Federal apura se tais repasses, feitos por meio de fundos sediados nos EUA, teriam custeado a estadia de Eduardo no país.

O documento também menciona suspeitas envolvendo fundos da Reag Investimentos e investigações sobre possíveis esquemas de lavagem de dinheiro relacionados ao PCC. Os deputados brasileiros pedem que as autoridades americanas verifiquem se recursos desse ambiente financeiro foram utilizados para financiar atividades políticas, jurídicas, de comunicação ou lobby nos Estados Unidos, sem, contudo, atribuir responsabilidade criminal definitiva a qualquer pessoa neste momento.

A solicitação visa a abertura de procedimentos investigativos para confirmar ou descartar as suspeitas, com a análise de registros bancários, contratos, comunicações empresariais, beneficiários finais de pagamentos e relatórios de atividades suspeitas sob jurisdição americana. A preservação imediata de documentos e a cooperação entre autoridades dos dois países são defendidas.

Adicionalmente, o texto relaciona a atuação política de Eduardo Bolsonaro nos Estados Unidos a possíveis tentativas de pressão sobre autoridades brasileiras, argumentando que atividades políticas ou campanhas de comunicação no exterior financiadas por recursos de origem ilícita poderiam ter utilizado a jurisdição americana para ocultação ou projeção internacional.

A proximidade entre a visita de Eduardo, Flávio Bolsonaro e o blogueiro Paulo Figueiredo à Casa Branca, onde solicitaram a classificação de facções criminosas brasileiras como terroristas, também é citada. A designação foi anunciada recentemente, e os parlamentares brasileiros pedem investigação sobre se tais iniciativas tiveram impacto em mecanismos de cooperação internacional contra lavagem de dinheiro e crime organizado.

A congressista democrata Sydney Kamlager-Dove, copresidente da Bancada do Brasil (Brazil Caucus), afirmou que analisará o pedido de investigação. Ela destacou que a possível utilização do sistema financeiro dos EUA para atividades impróprias é uma questão de interesse público transnacional. “Se bancos dos EUA estiverem de alguma forma envolvidos em algo ilegal ou impróprio, o povo americano e o brasileiro precisam saber”, declarou.

Kamlager-Dove também relatou ter discutido com a comitiva brasileira temas como integridade eleitoral, proteção da democracia e preocupações com tarifas comerciais, traçando paralelos entre os desafios políticos enfrentados pelas duas nações frente ao avanço da extrema-direita.

Apesar de a maioria republicana no Congresso americano dificultar o avanço de investigações deste tipo no curto prazo, o pedido ganha relevância diante das eleições legislativas de 2026 e da possibilidade de direcionamento para o Departamento de Justiça, especialmente se houver maior alinhamento político com o governo dos EUA.