Política

BR: Europa Exclui Brasil de Exportação de Carne e Peixe: Crise Iminente ou Oportunidade de Fortalecimento?

Brasília – O governo brasileiro está empenhado em reverter uma decisão da União Europeia que suspendeu a permissão para exportação de diversos produtos de origem animal, incluindo carnes bovina, de frango e equina, além de pescado e mel. A medida, oficializada nesta sexta-feira (5), tem como pano de fundo questionamentos sobre o uso de antimicrobianos na produção pecuária nacional, prática que, em alguns casos, visa não apenas prevenir doenças, mas também estimular o crescimento dos rebanhos.

O Ministro das Relações Exteriores, Mauro Vieira, abordou o tema diretamente com o Comissário de Comércio da União Europeia em uma conversa na última quinta-feira (4). A expectativa é que uma solução seja encontrada antes de setembro, prazo em que a proibição entra em vigor.

Fontes diplomáticas indicam que, paralelamente às articulações políticas, o Ministério da Agricultura e representantes do setor produtivo trabalham para atender às exigências europeias, que incluem inspeções presenciais nas propriedades rurais. Ricardo Santin, presidente da Associação Brasileira de Proteína Animal (ABPA), minimizou a questão sanitária, afirmando que o setor já adota protocolos rigorosos. Segundo ele, a exclusão não se deu por descumprimento, mas pela falta de “garantias oficiais” que convençam a Europa. “A Europa quer que o Ministério da Agricultura também certifique isso”, explicou Santin, referindo-se à necessidade de uma camada adicional de fiscalização além do autocontrole das empresas.

O impacto econômico da decisão é significativo. O mercado europeu representa mais de US$ 1 bilhão anual em exportações de carne de aves e bovina para o Brasil, um montante considerável para a economia nacional.

A Associação Brasileira das Indústrias de Pescados (Abipesca) manifestou apoio ao sistema de fiscalização sanitária brasileiro e ao trabalho do Ministério da Agricultura, reafirmando a confiança nas medidas de controle e na segurança dos produtos. A entidade informou que já foram tomadas respostas e que a colaboração com o governo para o fortalecimento dos controles sanitários continua.

A União Europeia, por meio de um documento oficial, retirou o Brasil da lista de países em conformidade com suas normas sobre antimicrobianos. A decisão afeta uma gama de produtos que antes eram habilitados para exportação ao bloco.