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Lula no G7: Brasil aponta o dedo para protecionismo e busca ponte com países emergentes

Paris, França – Em um momento de alta tensão global, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva é aguardado na cúpula do G7, que se inicia nesta segunda-feira na França. O Brasil foi convidado para o encontro dos líderes das sete economias mais desenvolvidas do mundo, juntamente com Índia, Coreia do Sul e Egito. A presença de Lula é vista pelos organizadores como crucial para que ele atue como uma ponte entre o G7 e os países emergentes do Brics, levando as discussões do bloco desenvolvido para o grupo que reúne potências como China e Rússia.

No entanto, antes mesmo da abertura da cúpula, o governo brasileiro já enviou um recado claro aos EUA e à Europa. Em reunião virtual de chanceleres nesta quinta-feira, o Brasil criticou veementemente o protecionismo unilateral adotado por grandes economias. O chanceler Mauro Vieira destacou o desequilíbrio nos gastos com armamentos em detrimento da cooperação e reiterou as demandas dos países em desenvolvimento por uma reforma urgente do sistema multilateral de comércio, paralisado na Organização Mundial do Comércio (OMC).

A agenda do G7 prevê discussões sobre a proteção da infância nas redes sociais, tema em que o Brasil busca contribuir com suas recentes iniciativas. Lula estará lado a lado com líderes de países ricos e com os chefes de algumas das maiores plataformas digitais globais.

A mensagem que Lula levará aos países ricos é dura. O Brasil considera as barreiras comerciais e o unilateralismo na área como fatores que criam turbulência no mercado internacional. Exemplos recentes, como as ofensivas comerciais do governo Trump contra dezenas de países e as barreiras impostas pela União Europeia à carne brasileira mesmo após o acordo Mercosul-UE, evidenciam a crise do multilateralismo e a suspensão de regras comerciais. Para o governo brasileiro, a fragilidade dessas regras gera incerteza para empresas e governos de economias emergentes.

A expectativa é que Lula, considerado um “ator importante” no cenário internacional, utilize sua participação no G7 para defender os interesses dos países em desenvolvimento e pressionar por um sistema comercial mais justo e equilibrado.