Flávio Bolsonaro em Declínio: Escândalo do Banco Master Afasta o Centro
Uma nova pesquisa Atlas/Bloomberg revela que os áudios e mensagens entre Flávio Bolsonaro e Daniel Vorcaro, proprietário do Banco Master, causaram um impacto político significativo. O senador Flávio Bolsonaro perdeu força no eleitorado geral, embora sua base de apoio dentro do bolsonarismo permaneça fiel. A divulgação das conversas, que 95,6% dos entrevistados afirmam ter conhecimento, enfraqueceu a candidatura de Flávio para 64,1% dos consultados, sendo que 45,1% consideram o enfraquecimento “muito forte”.
O escândalo do Banco Master agora é mais associado ao campo bolsonarista. Em maio, 43,3% dos entrevistados apontam aliados de Bolsonaro como os mais envolvidos em fraudes financeiras, um aumento expressivo em relação a março, quando o número era de 28,3%. Em contrapartida, a associação aos aliados de Lula caiu de 39,5% para 32,8% no mesmo período.
Embora a maioria (51,7%) dos que souberam do vazamento veja nas conversas evidências de envolvimento direto do senador no escândalo, um percentual considerável (33,3%) interpreta o diálogo como uma tentativa legítima de obter apoio financeiro para um filme sobre Jair Bolsonaro. Outros 12,1% veem apenas proximidade, sem comprovação de ilegalidade. Somados, esses dois grupos representam 45,4%, indicando o espaço de sobrevivência eleitoral de Flávio.
A pesquisa também aponta que 54,9% dos entrevistados veem o vazamento como evidência de uma investigação legítima, enquanto 33% o consideram uma tentativa de prejudicar politicamente Flávio Bolsonaro. Essa tese de perseguição política, embora não majoritária, é fundamental para manter mobilizada a base bolsonarista, que tende a interpretar investigações contra a família Bolsonaro como ataques políticos.
Nos cenários eleitorais, o recuo de Flávio é notável. No primeiro turno contra Lula, ele caiu de 39,7% em abril para 34,3% em maio, enquanto o presidente se manteve estável em 47%. No segundo turno, Flávio despencou de 47,7% em abril para 41,8% em maio, contra 48,9% de Lula. A hipótese é que eleitores antipetistas descontentes com o escândalo migraram para a abstenção ou indecisão, e não diretamente para Lula.
A eleição de Flávio Bolsonaro passou a causar mais medo ou preocupação para 47,4% dos entrevistados, superando a reeleição de Lula (40,5%). Em abril, a situação era inversa. Isso demonstra que Flávio deixou de ser visto apenas como um nome competitivo e passou a ser percebido como um risco político por uma parcela maior do eleitorado.
Apesar do desgaste, Flávio mantém forte apoio em sua base: 84,2% dos eleitores de Jair Bolsonaro defendem sua permanência na candidatura. Contudo, 47,1% dos entrevistados afirmam que não votariam mais em Flávio após conhecerem as conversas. A pesquisa indica que o escândalo mobiliza os convertidos, mas dificulta a conquista de eleitores moderados.
A família Bolsonaro enfrenta um dilema. Flávio, apesar de mais “tóxico” para o eleitorado geral, ainda é o nome familiar mais competitivo, com 34,3% em um cenário contra Lula. Michelle Bolsonaro, embora menos atingida diretamente, aparece com apenas 23,4%. Manter Flávio significa carregar o peso do escândalo, mas trocá-lo pode significar perder tempo, densidade eleitoral e a capacidade de unificar a direita, com o risco de o bolsonarismo sequer chegar ao segundo turno.






