Sob nova doutrina, EUA impulsionam militarização na América Latina
Avança na América Latina uma nova ofensiva dos Estados Unidos para aprofundar a militarização e o controle sobre o continente, em uma estratégia batizada em Washington de Doutrina Donroe. Em um encontro recente no Panamá com 18 países, a cúpula militar norte-americana deu passos concretos para consolidar a aliança “Escudo das Américas”, criada sob o pretexto de combater o terrorismo e o narcotráfico.
O secretário de Guerra dos EUA, Pete Hegseth, chegou a anunciar que o país iniciaria ataques por terra contra cartéis na região, uma operação que já ocorre no Equador e acaba de ser autorizada pela Colômbia. O encontro, que contou com a presença de aliados como Argentina, El Salvador e Paraguai, desenhou uma nova arquitetura de segurança regional sem a participação do Brasil, o que acendeu o alerta em círculos diplomáticos.
Um dos pontos mais sensíveis da estratégia é a criação de uma central de inteligência sob comando direto dos EUA, que exigiria dos países membros o compartilhamento de dados sobre pessoas e organizações. A medida desperta temores de que a iniciativa seja uma reedição da Operação Condor, que nos anos 1970 coordenou a repressão a opositores políticos nas ditaduras do Cone Sul. A preocupação é que a definição de “ameaça” aos interesses dos EUA possa se estender para além dos cartéis, alcançando movimentos sociais ou governos progressistas, especialmente no contexto da disputa geopolítica com a China por recursos naturais.
Para operacionalizar a doutrina, o Comando Sul dos EUA (SOUTHCOM) ativou a Força-Tarefa Conjunta do Hemisfério Ocidental (JTF-WHEM), comandada pelo major-general Kevin Jarrard. Segundo o Pentágono, a força irá “sincronizar as operações militares dos EUA com aliados”, integrando inteligência e vigilância para “aumentar a pressão sobre organizações nefastas”.
O tom da nova política foi explicitado por Hegseth. “O novo lema da Coalizão é: ‘Fazemos coisas ruins com pessoas ruins’”, declarou. “Estamos lidando com pessoas ruins que fizeram muitas coisas ruins com muitas pessoas boas, por muito tempo. E elas estão prestes a conhecer um novo xerife na cidade, e não estamos brincando.”






