Política

Uso de deepfake por Flávio Bolsonaro confronta regras democráticas do TSE

A exibição de um vídeo gerado por inteligência artificial de Jair Bolsonaro na convenção que lançou a pré-candidatura de seu filho, Flávio Bolsonaro, acendeu o alerta sobre os limites éticos e legais nas disputas eleitorais. O uso da tecnologia para simular a presença do ex-presidente, que não participou do evento, coloca à prova as novas diretrizes do Tribunal Superior Eleitoral (TSE) criadas para proteger a integridade do voto e combater a desinformação de forma contundente.

Para especialistas em direito eleitoral, a mera sinalização de que o conteúdo foi gerado por inteligência artificial não anula a gravidade da simulação. O núcleo do problema é a fabricação de uma realidade inexistente para influenciar o eleitorado. A defesa da democracia exige que o debate político seja pautado por fatos e apoios reais, e não por representações sintéticas que tentam contornar ausências políticas e criar falsas impressões no eleitor.

Partidos que apoiam o governo do presidente Lula acionaram a Justiça Eleitoral contra a peça publicitária, reforçando o compromisso das forças progressistas com a transparência e a verdade no processo democrático. Enquanto as regras do TSE permitem o uso de tecnologia para edições e melhorias gráficas cotidianas, a simulação de lideranças reais discursando artificialmente é vista como uma ameaça ao direito do cidadão de fazer escolhas conscientes, livre de manipulações tecnológicas que distorcem o cenário político.