Política

Direita Tenta Enganar Trabalhadores com Proposta Fantasma de 4 Dias de Trabalho e Ampliação de Horas

Deputada Erika Hilton (Psol-SP) denuncia manobra da extrema direita para sabotar a conquista de melhores condições de trabalho para a população.

A deputada Erika Hilton (Psol-SP) desmascarou a recente defesa da escala de trabalho de quatro dias por setores da direita, classificando a atitude como um “golpe contra o trabalhador”. A declaração surge como resposta à proposta do líder do PL na Câmara, Sóstenes Cavalcante, de apresentar um destaque para votar a adoção da escala 4×3. Hilton, que é proponente da PEC 8/2025, visando a redução da jornada de trabalho para quatro dias semanais no Brasil, alertou que a medida, embora pareça benéfica, tem como objetivo manter o status quo da escala 6×1.

A movimentação da direita ocorre após grande parte da bancada do PL ter apoiado uma emenda que criava brechas para a ampliação da jornada semanal, com uma transição de dez anos para a redução da carga horária. A chamada “emenda das 52 horas”, assinada por 62 dos 97 deputados do PL, incluindo Sóstenes Cavalcante, previa mecanismos que poderiam estender a jornada para até 52 horas semanais no período de transição. Apesar de algumas retiradas de assinatura após repercussão negativa, a maioria da bancada ainda se mantém vinculada oficialmente ao texto.

Parlamentares da base governista veem a defesa da escala 4×3 como uma estratégia para desviar o debate de uma proposta mais viável politicamente, a 5×2, e criar obstáculos à sua aprovação. O presidente da comissão especial que discute o fim da escala 6×1, deputado Alencar Santana (PT-SP), reforçou que a súbita defesa da 4×3 pela direita representa uma tentativa de atrasar o avanço da proposta que visa acabar com a escala 6×1. Ele destacou que um amplo diálogo já resultou em um consenso em torno da jornada 5×2 como uma alternativa viável no momento.

“Tentar avançar com o discurso pelo fim da 6×1 na via da 4×3 é, sim, uma tentativa de tumultuar a votação por parte da direita”, declarou Santana, enfatizando que a iniciativa é uma “manobra para atrasar o debate”. Ele ressaltou que o foco agora deve ser garantir a aprovação da mudança já pactuada entre parlamentares e movimentos sociais.

A deputada Maria do Rosário também classificou a movimentação como “diversionista”. Segundo ela, os mesmos setores que resistiam à redução da jornada agora propõem a escala 4×3 para dividir a votação e tumultuar o plenário. Para a deputada, o acordo em torno da jornada de 40 horas semanais representa “uma vitória possível da classe trabalhadora neste momento”. O parecer em discussão prevê a redução gradual da jornada semanal de 44 para 40 horas e a garantia de dois dias de descanso.

É importante notar que, antes de anunciar apoio à escala 4×3, Sóstenes Cavalcante criticava publicamente a redução da jornada. Em abril, ele afirmou que o fim da escala 6×1 “criaria um problema maior ao trabalhador” e defendia um modelo de remuneração por hora trabalhada, classificando a PEC como um “texto horroroso”.

A votação do parecer está prevista para esta quarta-feira (27) na comissão especial da Câmara, com possibilidade de seguir para análise do plenário ainda nesta semana.